REUNIÃO EM JAGUAPIRU DISCUTE CRISE DA ÁGUA E MELHORIAS NA SAÚDE INDÍGENA EM DOURADOS
Na tarde desta terça feira (24), lideranças indígenas da Aldeia
Jaguapiru participaram de uma importante reunião com representantes do Polo
Base de Dourados, vinculado ao DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de
Mato Grosso do Sul), e agentes indígenas de saneamento, com o objetivo de
alinhar ações práticas e parcerias voltadas à melhoria da estrutura das
Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e ao bom andamento dos serviços prestados às
comunidades.
O encontro contou com a presença de Mario Matias, chefe do
DIASI (Divisão de Assistência à Saúde Indígena); o Cacique Vilmar Martins
Machado; Adalberto Araújo, chefe do Polo Base de Dourados; além de Agentes
Indígenas de Saneamento (AISAN) e do vice-cacique da Aldeia Bororó, Alex
Rodrigues.
Durante a reunião, diversos temas foram debatidos, como a
falta de medicamentos nas UBSs, a necessidade de material de limpeza e
manutenção das unidades de saúde, e a urgência de melhorias na logística de
transporte. Uma das reivindicações apresentadas foi a disponibilização de
viatura para o deslocamento do chefe dos AISAN, garantindo maior agilidade no
transporte de materiais e no atendimento de emergências sanitárias.
No entanto, o ponto central das discussões foi a grave crise
no abastecimento de água na Reserva Indígena de Dourados. Mesmo com a
perfuração de novos poços, cerca de 40% da população ainda depende de
caminhões-pipa, com apoio das prefeituras. Em dias de chuva, os veículos não
conseguem chegar às residências, agravando a situação. Além disso, problemas
mecânicos frequentes nos caminhões comprometem ainda mais a regularidade do
fornecimento.
Enquanto isso, a obra estimada em mais de R$ 54 milhões para
solucionar o problema estrutural da água ainda não foi sequer licitada. Mesmo
após o início, o prazo de execução pode ultrapassar dois anos, prolongando o
sofrimento de cerca de 26 mil indígenas que vivem na reserva, especialmente
crianças e idosos, os mais vulneráveis diante dessa realidade.
O desespero crescente nas comunidades já levanta debates
sobre a possível municipalização da Reserva Indígena de Dourados. Lideranças
alertam que, caso os entes estatais não tratem a questão com responsabilidade,
ouvindo e implementando políticas públicas construídas com os próprios profissionais
indígenas, os órgãos de assistência poderão ser vistos apenas como instrumentos
políticos e cabides de emprego.
A reunião reafirmou a necessidade de diálogo permanente,
planejamento conjunto e ações concretas para garantir dignidade, saúde e
qualidade de vida às comunidades indígenas de Dourados.




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