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Dourados,23/03/2026

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Quando a politica vira palco e a Aldeia Continua com sede.

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Quando a politica vira palco e a Aldeia Continua com sede.

Quando a política vira palco e a aldeia continua com sede


No Mato Grosso do Sul, a política
indigenista vive uma contradição moral insustentável. Nunca se falou
tanto em protagonismo indígena nos gabinetes. Nunca se viu tantos
eventos, cerimônias e anúncios. E, ao mesmo tempo, nunca foi tão normalizado que aldeias sigam sem água, sem saúde digna e sem presença efetiva do Estado.


O povo indígena deste estado não
está morrendo por falta de palco. Está adoecendo por falta de poço. Está
enterrando seus velhos e crianças por falta de atendimento. Está
resistindo em territórios superlotados enquanto a Funai é esvaziada,
enfraquecida e afastada da realidade local.


A tentativa de transformar política
pública em espetáculo é uma violência simbólica. Ofende quem carrega
lata d’água na cabeça. Ofende quem passa madrugada em fila de hospital.
Ofende quem enterra seus mortos sem que o Estado tenha sequer chegado.


O Ministério dos Povos Indígenas não foi criado para organizar cerimônias. Foi criado para enfrentar a estrutura colonial que mata, adoece e expulsa. Quando isso é substituído por agendas festivas e disputas internas, algo se rompe.


O Jornal Indígena Dourados MS reafirma: nossa prioridade é a vida concreta do povo indígena. Água, saúde, terra, autonomia institucional e respeito. Sem isso, todo discurso vira encenação.


E o povo já não suporta mais ser figurante da própria tragédia.





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