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Dourados,15/05/2026

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CERCO AO SANGUE INDÍGENA EM MS:

Assassinato de Vice Cacique em Coronel Sapucaia expõe o "Estado de Exceção" nas aldeias de Dourados

Jornalista Wilson Matos DRT 773/MS
CERCO AO SANGUE INDÍGENA EM MS: Vice-cacique Givaldo Santos Kaiowá e Guarani foi assassinado em 01/05/2026, na Reserva Taquaperi, entre Coronel Sapucaia e Amambai, no MS.

O assassinato com indícios
de execução de Givaldo Santos Kaiowá, vice-cacique da Reserva Taquaperi,
na última sexta-feira (1º), não é um episódio isolado de violência no Mato
Grosso do Sul. O crime, ocorrido em Coronel Sapucaia sob o cano de armas de
pistoleiros em uma motocicleta, é o estopim de uma crise humanitária que
transborda as fronteiras da fronteira e encontra eco no desespero das
lideranças da Reserva Indígena de Dourados (RID).



Givaldo foi morto enquanto
esperava o irmão, deixando cinco filhos órfãos. Mas, para a comunidade Kaiowá e
Guarani, ele foi morto por um motivo político e jurídico: o vice-cacique exigia
que a Polícia Federal (PF) assumisse a investigação de um atropelamento
na MS-289 que vitimou quatro indígenas — crime este cometido por um motorista
que, segundo denúncias locais, goza de proteção política.



O "Efeito Dominó"
da Violência



O crime em Sapucaia
acontece em um cenário de guerra. Na última semana, ataques da Polícia Militar
e do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) foram registrados na retomada
Tapykora Korá e na Reserva Limão Verde.



Em Dourados, a resposta
institucional a essa escalada de violência veio através de um documento
contundente. Lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó protocolaram
representação junto ao Ministério Público Federal (MPF), endereçada ao
Procurador Marco Antônio Delfino de Almeida, denunciando que as aldeias se
tornaram "terras sem lei" sob o domínio do crime organizado.



Dourados: Líderes em
Cárcere Privado e "Bocas de Fumo"



A denúncia entregue ao MPF
revela que o Cacique Reinaldo Arévalo (Dinho), da Aldeia Bororó, está há mais
de 60 dias recluso em sua própria casa devido a ameaças de morte
enviadas por facções criminosas como PCC e Comando Vermelho.



"Nos matam feito
animais, não respeitam a nossa vida. Será que temos de aceitar calados?",
questiona uma liderança que, por medo, prefere o anonimato.



Os relatos das lideranças
de Dourados, incluindo o Cacique Vilmar Martins Machado e os vice-caciques
Jacir Freitas e Alex Rodrigues, apontam para uma simbiose perversa entre a
falta de demarcação e a infiltração do tráfico de drogas. Os principais pontos
denunciados são:



  • Execuções sem Solução:
    O assassinato do cacique interino Idalino Medina (Goro) em 2025 e de um
    agente de segurança em 2026 continuam sem respostas.
  • Infiltração de Facções:
    Aldeias estão sendo usadas como entrepostos e depósitos de drogas (crack,
    pasta base e maconha).
  • Conivência Estatal:
    Há suspeitas de envolvimento de agentes públicos no abastecimento de
    "bocas de fumo" e denúncias de que a atuação policial é insuficiente
    ou distorcida.


O Pedido de Socorro
Jurídico



Amparados pela Constituição
de 1988 e pela Convenção 169 da OIT, os líderes indígenas exigem o retorno de
operações estruturadas, como a Operação Teko’há, que em anos anteriores
logrou reduzir os índices de criminalidade interna.



A Aty Guasu, OTGD (Organização dos Terenas da Grande Dourados) e as lideranças
da RID são unânimes: sem a proteção física das lideranças, a investigação
federal
dos crimes e a demarcação imediata da Terra Indígena
Iguatempeguá II, o estado do Mato Grosso do Sul continuará a figurar nos
relatórios internacionais como o epicentro de uma violação sistemática dos
Direitos Humanos.



Enquanto o MPF analisa o
Termo de Declaração, o luto na Reserva Taquaperi se mistura à tensão em
Dourados. A pergunta que ecoa nas matas e nas redes sociais é uma só: quem será
o próximo alvo da inércia do Estado?










Nota ao leitor: O
documento protocolado pelas lideranças de Dourados em 10 de abril de 2026 serve
como prova documental de que o assassinato de Givaldo Santos não é um fato
novo, mas o ápice anunciado de uma tragédia contínua.



 







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