Dourados ignora alertas, falha na prevenção e se torna epicentro de epidemia de chikungunya
Gestão de Marçal Filho é alvo de críticas após dados revelarem colapso na política de combate ao mosquito
Foto Arquivo /Gilbeto Ferandes A crise sanitária que atinge
Dourados-MS, hoje considerada o epicentro da epidemia de chikungunya em Mato
Grosso do Sul, não é fruto do acaso. Trata-se
de uma tragédia anunciada.
De acordo com informações
divulgadas pelo portal Mídia Max, o prefeito Marçal Filho já vinha sendo
alertado desde o ano passado sobre o risco iminente de uma epidemia — alertas
que, ao que tudo indica, foram ignorados pela gestão municipal.
Dados apresentados
recentemente pela Secretaria Municipal de Saúde à Câmara de Vereadores
escancaram a dimensão da negligência. O planejamento oficial previa a
realização de quatro ciclos anuais de visitas preventivas em 80% dos imóveis da
cidade, estratégia básica no combate ao mosquito Aedes aegypti.
No entanto, o que se
verificou foi o completo colapso da política preventiva: resultado nulo nos últimos três quadrimestres.
Ou seja, a prevenção
simplesmente NÃO ACONTECEU.
Atualmente, Dourados
registra mais de 2 mil notificações de chikungunya e ao menos 5 óbitos
confirmados, números que colocam o município no centro da crise epidemiológica
estadual.
Outro fator agravante é o
déficit estrutural no quadro de agentes de endemias. Estima-se a falta de
aproximadamente 40 profissionais, o que deixa cerca de 40% do território sem
cobertura preventiva regular. Na prática, isso significa milhares de residências
sem qualquer tipo de vistoria ou orientação sanitária.
O resultado dessa
combinação — omissão, falta de planejamento e desestruturação da equipe — é o
cenário atual: uma epidemia fora de controle.
Aldeias
indígenas: as mais afetadas
Falta de políticas
públicas, avanço de doenças e negligência institucional escancaram o
distanciamento da prefeitura das comunidades indígenas
Como historicamente ocorre,
os povos indígenas estão entre os mais impactados pela crise. O indigena News MS,
acompanha diretamente as ações emergenciais nas comunidades, onde a
precariedade no acesso à água, saneamento e atendimento de saúde potencializa a
disseminação da doença.
A situação nas aldeias
Jaguapiru e Bororó é particularmente crítica, evidenciando o abandono
sistemático por parte do poder público municipal.
Resposta
tardia
Diante do agravamento da
crise, medidas emergenciais começam a ser adotadas, ainda que tardiamente.
Está prevista para esta
quinta-feira a chegada do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, que
acompanha de perto a situação das comunidades afetadas.
Além disso, foi anunciada a
criação de um Comitê de Operações Estratégicas, que deverá centralizar as ações
de combate à chikungunya no município.
Especialistas, no entanto,
alertam: ações emergenciais não substituem políticas públicas contínuas. O
custo da omissão já está sendo pago - e, como sempre, pelas populações mais
vulneráveis.
Conclusão
A crise de Dourados não é
apenas sanitária — é política, administrativa e moral.
Quando metas são zeradas,
alertas são ignorados e vidas são perdidas, não há mais espaço para
justificativas.
Há responsabilidade.
E ela precisa ser apurada.




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