Reflexão Política sobre o Voto nos Territórios Indígenas
Crédito da foto Sandro Terena Por: Sandro Terena
Há
algo profundamente inquietante no cenário político que se desenha em nossos
Territórios Indígenas. Não se trata apenas de divergência ideológica, trata-se
de coerência histórica, de memória coletiva e de responsabilidade com as
futuras gerações.
É
público e notório que determinados parlamentares, ligados estruturalmente ao
agronegócio, têm mantido posição sistematicamente contrária aos Direitos
Indígenas. Não falamos de um voto isolado ou de um episódio pontual. Falamos de
trajetórias políticas marcadas por posicionamentos firmes contra demarcações,
contra garantias constitucionais e contra políticas públicas específicas para
nossos Povos.
A
senadora Tereza Cristina, reconhecida liderança do agro no Senado, e o Deputado
Federal Beto Pereira, que reiteradamente votou contra pautas de interesse dos
Povos Indígenas, são exemplos concretos dessa realidade. Suas atuações parlamentares
demonstram alinhamento com um projeto que, historicamente, confronta nossos
direitos territoriais, culturais e sociais.
Diante
disso, é impossível não questionar: como explicar que lideranças com esse
histórico recebam votações expressivas dentro do próprio Território Terena?
Como compreender que a caneta que já assinou contra nossos direitos possa
novamente ser fortalecida com o voto Indígena?
O
voto é instrumento de luta. É também instrumento de resistência. Nossos
Ancestrais resistiram com o corpo, com a palavra e com a espiritualidade para
garantir que hoje estivéssemos vivos enquanto povo. A Constituição de 1988 não
nos concedeu direitos por benevolência, ela reconheceu aquilo que sempre foi
nosso. E cada votação no Congresso que tenta restringir, relativizar ou negar
esses direitos é uma afronta à nossa história.
Não
se trata de proibir escolhas individuais, mas de convocar à consciência
coletiva. O agronegócio tem projeto claro, organizado e financiado. E esse
projeto não inclui a ampliação de Direitos Indígenas, ao contrário, busca
flexibilizá-los, enfraquecê-los ou submetê-los a interesses econômicos.
Quando
fortalecemos, com nosso voto, quem historicamente vota contra nós, estamos
contribuindo para a consolidação de um cenário político que ameaça nossos
Territórios, nossas lideranças e o futuro de nossas crianças.
É
tempo de reflexão profunda. É tempo de perguntar: quem defende nossos direitos
na prática? Quem vota a favor das demarcações? Quem sustenta a Constituição
quando ela é atacada? E, principalmente, qual projeto de futuro queremos para o
Povo Terena e para os Povos Indígenas do Brasil?
A
indignação que sentimos não é divisão, é responsabilidade histórica. Nosso voto
não pode ser instrumento de enfraquecimento da nossa própria luta.
Território
é vida. Direito não se negocia. Memória não se apaga. E consciência política
não pode ser substituída por promessas.
Que
nossa decisão nas urnas seja coerente com nossa história de resistência.




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