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Dourados,08/04/2026

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Dourados ignora alertas, falha na prevenção e se torna epicentro de epidemia de chikungunya

Gestão de Marçal Filho é alvo de críticas após dados revelarem colapso na política de combate ao mosquito

Jornalista Wilson Matos DRT 773/MS
Dourados ignora alertas, falha na prevenção e se torna epicentro de epidemia de chikungunya Foto Arquivo /Gilbeto Ferandes



A crise sanitária que atinge
Dourados-MS, hoje considerada o epicentro da epidemia de chikungunya em Mato
Grosso do Sul, não é fruto do acaso. Trata-se
de uma tragédia anunciada.



De acordo com informações
divulgadas pelo portal Mídia Max, o prefeito Marçal Filho já vinha sendo
alertado desde o ano passado sobre o risco iminente de uma epidemia — alertas
que, ao que tudo indica, foram ignorados pela gestão municipal.



Dados apresentados
recentemente pela Secretaria Municipal de Saúde à Câmara de Vereadores
escancaram a dimensão da negligência. O planejamento oficial previa a
realização de quatro ciclos anuais de visitas preventivas em 80% dos imóveis da
cidade, estratégia básica no combate ao mosquito Aedes aegypti.



No entanto, o que se
verificou foi o completo colapso da política preventiva: resultado nulo nos últimos três quadrimestres.



Ou seja, a prevenção
simplesmente NÃO ACONTECEU.



Atualmente, Dourados
registra mais de 2 mil notificações de chikungunya e ao menos 5 óbitos
confirmados, números que colocam o município no centro da crise epidemiológica
estadual.



Outro fator agravante é o
déficit estrutural no quadro de agentes de endemias. Estima-se a falta de
aproximadamente 40 profissionais, o que deixa cerca de 40% do território sem
cobertura preventiva regular. Na prática, isso significa milhares de residências
sem qualquer tipo de vistoria ou orientação sanitária.



O resultado dessa
combinação — omissão, falta de planejamento e desestruturação da equipe — é o
cenário atual: uma epidemia fora de controle.



Aldeias
indígenas: as mais afetadas



Falta de políticas
públicas, avanço de doenças e negligência institucional escancaram o
distanciamento da prefeitura das comunidades indígenas



Como historicamente ocorre,
os povos indígenas estão entre os mais impactados pela crise. O indigena News MS,
acompanha diretamente as ações emergenciais nas comunidades, onde a
precariedade no acesso à água, saneamento e atendimento de saúde potencializa a
disseminação da doença.



A situação nas aldeias
Jaguapiru e Bororó é particularmente crítica, evidenciando o abandono
sistemático por parte do poder público municipal.



Resposta
tardia



Diante do agravamento da
crise, medidas emergenciais começam a ser adotadas, ainda que tardiamente.



Está prevista para esta
quinta-feira a chegada do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, que
acompanha de perto a situação das comunidades afetadas.



Além disso, foi anunciada a
criação de um Comitê de Operações Estratégicas, que deverá centralizar as ações
de combate à chikungunya no município.



Especialistas, no entanto,
alertam: ações emergenciais não substituem políticas públicas contínuas. O
custo da omissão já está sendo pago - e, como sempre, pelas populações mais
vulneráveis.



Conclusão



A crise de Dourados não é
apenas sanitária — é política, administrativa e moral.



Quando metas são zeradas,
alertas são ignorados e vidas são perdidas, não há mais espaço para
justificativas.



Há responsabilidade.



E ela precisa ser apurada.







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