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Dourados,23/03/2026

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Audiências públicas do TSE abrem debate sobre as regras das Eleições 2026 e ampliam inclusão indígena

Jornalista Wilson Matos
Audiências públicas do TSE abrem debate sobre as regras das Eleições 2026 e ampliam inclusão indígena Foto: Divulgação/Arquivo



Brasília
– O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu a largada oficial no calendário das
Eleições Gerais de 2026. Entre os dias 3
e 5 de fevereiro
, o Tribunal realiza audiências públicas para discutir as minutas das resoluções eleitorais, documentos que irão definir as
regras do próximo pleito em todo o país.



As
audiências acontecem na sede do TSE, em Brasília, em formato híbrido (presencial e virtual), com
transmissão ao vivo pelo YouTube da
Justiça Eleitoral
e pela TV
Justiça
. A iniciativa, prevista na Resolução TSE nº 23.472/2016, busca
ampliar a participação social na construção das normas eleitorais.



O
que são as minutas eleitorais e por que elas importam?



As
chamadas minutas do TSE são
propostas preliminares de resoluções que disciplinam cada etapa do processo eleitoral — desde propaganda,
prestação de contas e financiamento de campanha, até pesquisas eleitorais,
registros de candidatura e fiscalização do sistema de votação.



Como
explica o especialista em Direito Eleitoral, Dr. Fernando Baraúna, nenhuma eleição é igual à anterior:



“O
que era permitido nas eleições passadas pode deixar de ser, e o que antes era
proibido pode passar a ser autorizado. Por isso, quem acompanha as mudanças com
antecedência sai na frente.”



Ao
todo, 12 resoluções estão em processo
de revisão
. E, por se tratarem ainda de minutas, todas podem ser alteradas, suprimidas ou mantidas, a depender do
debate público e das contribuições apresentadas nas audiências.



Participação
social: o jogo já começou



As
audiências públicas não são um ato formal vazio. Elas representam o momento em
que o “jogo eleitoral” começa de fato.
É ali que partidos, advogados, movimentos sociais, instituições e cidadãos
podem influenciar diretamente as regras que irão valer na campanha.



As
manifestações orais terão duração de três
a cinco minutos
, e cada audiência poderá se estender por até duas horas,
a critério do Tribunal.



Os
temas discutidos serão divididos por dia:



  • 3 de fevereiro: pesquisas eleitorais, auditoria e fiscalização,
    sistemas eleitorais e atos gerais do processo eleitoral;
  • 4 de fevereiro: registro de candidatura, prestação de contas e
    Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC);
  • 5 de fevereiro: propaganda eleitoral, ilícitos eleitorais,
    representações e reclamações, transporte de eleitores com deficiência e
    consolidação das normas voltadas ao cidadão.


Inclusão inédita: línguas indígenas no centro do
debate



Um
dos pontos mais relevantes das audiências de 2026 é a adoção inédita de tradução simultânea em línguas indígenas, por
iniciativa do vice-presidente do TSE e relator das resoluções, ministro Nunes Marques.



Serão
contempladas as línguas Tikuna, Yaathe
(Fulni-ô) e Kaingang
, além de intérpretes de Línguas Indígenas de Sinais (Tilis). A medida representa um avanço
concreto na democratização do processo
eleitoral
, garantindo acesso direto à informação para povos
historicamente excluídos dos espaços institucionais.



Pré-campanha,
propaganda e internet: mudanças à vista



Entre
as alterações mais sensíveis em debate está a Resolução TSE nº 23.610, que trata da propaganda eleitoral. A
minuta propõe mudanças significativas na chamada propaganda intrapartidária, ampliando seu alcance.



Caso
aprovada, a nova regra permitirá que, 15
dias antes das convenções partidárias
, pré-candidatos façam propaganda na internet, desde que observadas as
regras da Lei nº 9.504/1997. Isso significa que aquilo que é permitido na
propaganda eleitoral online, a partir de 16 de agosto, poderá ser usado antes das convenções, não mais
restrito apenas a um núcleo fechado de convencionais.



Além
disso, a proposta amplia os limites da pré-campanha,
autorizando manifestações espontâneas em ambientes universitários, escolares,
comunitários e de movimentos sociais, desde que sem financiamento direto ou indireto.



Outra
inovação relevante é a autorização para distribuição
de material de campanha
— como santinhos, adesivos e panfletos — em bens
de uso comum, como feiras, praças e comércios, desde que não haja prejuízo ao
uso regular do espaço público.



Recursos públicos e políticas afirmativas: avanço
para candidaturas indígenas



A
Resolução TSE nº 23.607, que
trata da arrecadação e da prestação de contas, também traz mudanças
importantes. A proposta fortalece as políticas
afirmativas
, incluindo explicitamente as candidaturas indígenas no rateio dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha
(FEFC)
e do Fundo Partidário,
conforme o percentual de participação.




as candidaturas negras passam a
ter assegurado no mínimo 30% dos
recursos
, independentemente do percentual de candidaturas apresentadas,
equiparando-se às garantias já consolidadas para as candidaturas femininas.



O alerta, segundo
Baraúna, permanece:



“Esses
recursos são públicos, não privados. O mau uso pode frustrar o sonho político
logo nos primeiros dias de campanha. ”



IA,
desinformação e o desafio da Justiça Eleitoral



Outro
ponto de tensão nas Eleições 2026 será o uso da inteligência artificial nas campanhas. Ainda sem uma regulação
plenamente consolidada, a IA se soma a desafios já conhecidos, como desinformação, abuso do poder econômico e
político
, exigindo respostas rápidas da Justiça Eleitoral.



O
desafio será equilibrar o devido
processo legal
, o contraditório
e a ampla defesa
, sem permitir que a morosidade beneficie práticas
ilícitas, sob o argumento do in dubio pro sufrágio.



Por
que acompanhar as audiências?



Mais
do que um debate técnico, as audiências públicas do TSE definem o campo de jogo das eleições. Quem
acompanha, participa e se informa desde agora estará mais preparado para os
desafios que virão.



As
audiências começaram no dia 3 de
fevereiro e tem encerramento no hoje 05/02/2026
e podem ser acompanhadas ao vivo pelos canais oficiais do TSE.



 







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